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Eventos internacionais levam brasileiros a Miami e Nova Iorque

Que o Brasil é a bola da vez todo mundo sabe.

Principalmente pelos dois grandes eventos mundiais que iremos sediar – Copa e Olímpiadas – o Brasil tem sido alvo de empresas estrangeiras de todas as áreas.

Todavia, o mais curioso é que ainda não há um grande evento de publicidade online que atraia esses grandes nomes e seja um grande centro gerador de negócios.

Sim, há o ProXXIma e o Digital Age que, apesar de serem realizados há algum tempo, ainda geram muitas discussões sobre conteúdo e, principalmente, a capacidade de gerar negócios.

Por outro lado, todo ano uma caravana de brasileiros parte para Nova Iorque para participar dos dois dias da MIXX Conference do IAB norte-americano.

Desde o ano passado outro evento começa a despertar a atenção do mercado, que é o Festival of Media LatAm, que acontece em Miami.

Este ano participei dos dois.

O MIXX é aquela coisa: o IAB Brasil, apoiado por seus sócios, banca a viagem e ingresso de 10 anunciantes. Por consequência, agências, veículos e fornecedores seguem a procissão.

Mais uma vez o Brasil teve a maior delegação do exterior e o evento teve seus ingressos esgotados, o que nem sempre é sinal de sucesso, pelo menos do ponto de vista de conteúdo e infraestrutura.

A parte da tarde do evento é reservada a “workshops”, que nada mais são do que apresentações comerciais de patrocinadores do evento. Alguns ainda oferecem um conteúdo relevante, mas na maioria é o bom e velho jabá mesmo.

Este é um formato traiçoeiro, pois se por um lado garante o sucesso comercial, deixa muita gente insatisfeita com o conteúdo apresentado.

Na verdade, o grande problema com eventos generalistas como o MIXX ou o ad:tech é justamente tentar agradar a gregos e troianos, que é impossível.

Outro problema de ser “sold out” é a acomodação: pagar mais de mil dólares de ingresso e ter que assistir palestras de pé ou mal acomodado é sempre um problema, quando não uma falta de respeito.

Em termos de conteúdo, apesar do tema instigante (“The Big Bang: when technology and creativity collide”) poucos palestrantes trouxeram realmente novidades: mobile, modelos de atribuição, relevância na comunicação… cadê o Big Bang?

Acredito que é hora do IAB repensar a estrutura do MIXX, pois o formato “case de anunciante-apresentação da Microsoft-workshops-entrevista do Charlie Rose” já está bastante desgastado.

O Marcelo Trípoli, da iThink, escreveu dois bons textos sintetizando o primeiro e o segundo dia do evento. O site do IAB tem alguns vídeos e um resumo do que foi abordado.

Já o Festival of Media LatAm, apesar de não possuir foco exclusivamente em mídia online, pode ocupar a brecha deixada desde o cancelamento do SES Latino e do ad:tech Miami.

Em comparação ao MIXX tínhamos bem menos brasileiros – mais de 200 em NY contra 20 ou 30 em Miami. Mas tinha gente bem graúda e o evento contou com um painel composto exclusivamente por executivos do nosso país.

Fatos curiosos: apesar do evento ser focado em América Latina, o mestre de cerimônias era… britânico! E o painel apenas de executivos brasileiros foi todo realizado em inglês!

É muito interessante ver que nem o espanhol e muito menos o português são as línguas oficiais do evento, apesar de um ou outro palestrante terem se apresentado falando em castelhano. Em 2008 eu abri minha apresentação em inglês no SES Miami dizendo que “um dia espero que este evento seja realizado em português e espanhol com tradução simultânea para o inglês”. Parece que ainda vai demorar um pouco.

Também é curioso notar como o Brasil é realmente centrado em si mesmo e ainda é uma ilha quase que impenetrável para empresas de língua hispânica. Por outro lado, colombianos, venezuelanos e argentinos nadam de braçada nos negócios em Miami e em projetos regionais. Poucas são as empresas bem sucedidas neste mercado que tem brasileiros na liderança.

Sobre o conteúdo, as duas grandes apresentações foram o key note de Andres Oppenheimer, jornalista do Miami Herald que teceu uma crítica ferina sobre como nós latinos fazemos negócio e o quanto a administração Obama realmente não acompanha o que acontece de Miami pra baixo; e Rodrigo Reyes, da argentina Fire Advertainment fez uma bela apresentação falando sobre a convergência entre entretenimento e publicidade. O material lembrou muito o debate proposto pela SapientNitro no Festival de Cannes (Global Brands vs Global Celebrities: who’s the smarter marketer) cuja transcrição está disponível online.

Enfim, o evento está em sua segunda edição, ainda conta com poucos expositores, mas com certeza pode ser bastante promissor e vir a se estabelecer como referência para o mercado brasileiro, como já é o MIXX, assim como, guardadas as devidas proporções, são o DMA e o Festival de Cannes.

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Lições aprendidas na ponte aérea Londres-Nova Iorque

Por toda a internet comemorações, gritos de guerra, alguns palavrões, enfim, o pessoal usou tudo o que tinha direito para celebrar a nova projeção do IAB Brasil que coloca a internet como o segundo meio em investimentos publicitários no Brasil, atrás apenas da, por enquanto, imbatível TV aberta: 11% de share em 2011 e a previsão de mais de 13% em 2012 foram o suficientes para emocionar até mesmo os mais veteranos do mercado, como eu.

Afinal, ultrapassar a marca de 10% é sempre um marco simbólico.

Uma grande reflexão, porém é a importância das campanhas de busca neste bolo: 56% dos investimentos em 2011. Quando o IAB lançou sua primeira estimativa com os dados de busca, este número era 53%. Ou seja, o interesse pelos investimentos em performance continuam crescendo. Isso é um bom sinal? Não sei.

Digo isso porque as verbas de branding bancam a veneranda TV aberta e, se busca está crescendo, isso consolida ainda mais a web como mídia para resposta direta. E o que realmente queremos é mais verbas de branding.

Em fevereiro eu escrevi (Minhas apostas para a publicidade online) sobre oportunidades que poderiam ajudar o bolo online a crescer e entre elas estava a compra de mídia em tempo real, nas campanhas display. Continuo firme apostando minhas fichas nesta modalidade, que segue praticamente fora do radar aqui no Brasil, apesar dos bons esforços do Comitê de Adnetworks & Exchanges do IAB.

Estive em Londres recentemente no primeiro evento do IAB do Reino Unido sobre o que eles chamam de Real Time Advertising. Alguns dados que aprendi no evento: na Inglaterra a mídia online responde por 28% dos investimentos de publicidade e tem a maior fatia do bolo (TV lá é 26%).

Este pedaço substancioso foi adquirido boa parte graças a busca, claro, mas hoje as atenções voltam-se para a nova realidade da mídia display, graças a tecnologias similares às utilizadas em Wall Street, no mercado de ações.

Dos 200 bilhões de impressões disponíveis no mercado britânico, 30 bilhões já são comercializadas via Real Time Bidding e 9% de toda mídia display é comprada via adexchanges. A Sky, um dos principais anunciantes, já compra 35% de sua mídia via adexchanges e vai chegar a 50% em 2012. É muita coisa.

Curiosamente, houve um debate sobre se em cinco anos a maioria da compra de mídia online seria feita em tempo real. Antes do painel, 70% da platéia achava que sim (eu inclusive); após o debate, 60% achava que não (eu inclusive). Vale a pena conferir os principais temas do evento aqui. Não deixe de ver o vídeo explicativo sobre a evolução da mídia display.

Uma semana antes de Londres eu estive em Nova Iorque acompanhando a Digital Conference do AdvertisingAge. Ali, um dos pontos altos foi a entrevista com Neal Mohan, todo poderoso VP do Google, responsável pelos negócios na área de display. Naquela semana o Google lançou um novo serviço de medição de audiência. Por quê? Porque eles querem reforçar a importância das métricas de branding, para atrair as verbas que ainda não migraram da TV para o online. Não à toa o serviço chama-se Brand Active Initiative. Você pode ver um vídeo de Mohan no evento, vale a pena.

O que me soa como apelação nas métricas de branding, ratificadas pelo IAB aliás, é que basta que 50% de um anúncio seja carregado para ser contada uma impressão. Fugindo desta regra, o CEO do Hulu deixou claro no evento que para eles uma impressão só é contada quando 100% da peça é carregada. Parece bem mais sensato.

Enfim, o mercado brasileiro precisa olhar com mais atenção para as iniciativas de sucesso lá fora, que estão impulsionando o mercado online. E para isso, não basta apenas ir uma vez ao ano fazer compras em Nova Iorque Iorque e, nas horas vagas, ver uma palestra ou outra na MIXX Conference do IAB.

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Quem passou pelo ProXXIma?

Eu! E vc, estava lá?

Mais vídeos do evento no canal ProXXIma no YouTube.

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“Mas é um ipad, não um computador”

“Desliguem seus aparelhos eletrônicos, computadores, pagers, videogames”. Mas nada sobre iPad, o que levou uma senhora a tecer este comentário do título. Ouvi a frase em um vôo internacional, coincidentemente ou não, quando estava a caminho de um evento de inovação na Suíça, o Lift 2012.

(Pagers. Quem hoje em dia ainda anda com um pager?)

Apesar de todos os discursos de que os tablets vão substituir os computadores, pessoas como a minha colega de vôo ainda os enxergam como coisas diferentes. Aliás, o pessoal da segurança dos aeroportos também, afinal você precisa tirar o notebook de sua mochila para o raio-X, mas o iPad não.

É um conceito interessante este de inovação. O que é inovação? Social media é inovação?

“Sim, mudou a forma das pessoas se relacionarem, entre si e com empresas. Mas não consigo ficar atualizado com todo o que acontece, ainda mais com o conteúdo gerado pelas pessoas via Twitter e Facebook, principalmente” você pode dizer.

Essa é uma grandes queixas hoje em dia: “information overload”.

E se eu te disser que este problema existe desde sempre e gente como Platão reclamava, em 370 antes de Cristo, que “Nossa habilidade em escrever nos impedirá de lembrar de tudo” ou então Seneca, um dos mais célebres advogados e filósofos do Império Romano, que afirmou “a abundância de livros é uma distração”. Uau!

Anais Saint Jude, diretora do BiblioTech Program na Universidade de Stanford, fez uma brilhante apresentação no Lift, com o título “From Gutenberg To Zuckerberg” e mostrou que não é de hoje que a humanidade sofre com o excesso de informação. E também que o fenômeno das redes sociais vem de muito antes do experimento dos seis graus de separação, de Milgram. O século 17, com suas diversas inovações, como a descoberta da América, as teorias de Copérnico e principalmente o surgimento da prensa de Gutenberg, trouxe uma troca de informações comparável ao que vivenciamos hoje. Claro, entre os séculos 14 e 17 era a troca de correspondências entre mercadores de Veneza até os Iluministas franceses, que cumpriam o papel do Twitter e Facebook, ao trazer notícias em informações em “tempo real.

Qual a última coisa que você faz quando acorda? Se for como eu, é pegar o celular ou o iPad e checar o Twitter e Facebook. Novidade? Que nada, Voltaire já acordava ditando cartas, como podemos comprovar na famosa pintura “Le Lever de Voltaire”.

Mas inovação está em todos os lugares. Até mesmo onde não pensamos. O dinheiro, por exemplo. Até a revolução industrial, o trabalho era algo que não existia. Você gerava recursos para sua própria sobrevivência e trocava, por exemplo, seus vegetais por um porco que iria abater para sua refeição.

Você já ouviu falar de bitcoin? É uma moeda virtual criada em 2009 baseada no conceito de P2P e que até hoje gera muita controvérsia, tendo inclusive sendo combatido nos EUA por senadores e órgãos governamentais. Adriana Jeffrieis, repórter do The New Yorker Observer, mostrou todos os lados desta controvérsia, que foi capa de revistas como FastCompany e Forbes, além de tema de um episódio recente da séria The Good Wife.

Sem dúvida a internet mudou muito o mundo, mas muitas coisas já estavam por aí, pois fazem parte da natureza humana. Recomendo a vocês acompanhar os vídeos da Lift 2012 que estão sendo postados no site vídeos.liftconference.com pois tenho certeza que irão curtir, pra usar um termo bem popular. Se tiver que escolher apenas um para assistir, não perca a apresentação do coreano Hojun Song, que construiu um satélite em casa e que irá para o espaço em agosto.

Texto publicado na revista ProXXIma de abril/2012 e no Webinsider.

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Ignition 2011, um dos melhores eventos do ano

Recentemente estive em New York para o Ignition 2011, que foi um dos melhores eventos internacionais que acompanhei neste ano nos EUA.

A grade era bastante promissora e incluía, entre outros executivos de destaque, Sheryl Sandberg (COO do Facebook), Adam Bain (CRO do Twitter), Mark Cuban (dono do Dallas Mavericks, atual campeão da NBA e bilionário desde a época da bolha), Glen Beck (autor e apresentador de televisão) e Eliot Spitzer, ex-governador de New York (ou “Client 9” para os íntimos).

Você pode ler o artigo completo publicado pelo Prop&Mark ou no Webinsider.

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IAB MIXX 2011

Venho cobrindo os eventos da Advertising Week e do IAB desde 2005 ( na verdade antes disso, mas não tenho links para comprovar)

Este ano, em sua sétima edição, a MIXX Conference do IAB, em New York, atraiu quase 300 brasileiros, quase o dobro em relação ao ano passado.

O tema do evento foi voltado para a importância da criação de narrativas relevantes (storytelling) como forma de envolver os consumidores. Um conceito mais novo – storybuilding, foi promovido pelo presidente da The Martin Agency, Mike Hughes. Ele aborda as narrativas de forma aberta, com a participação e colaboração dos consumidores. Foi a grande buzzword dos dois dias de evento.

Alguns pontos ganharam mais minha atenção dentre o grande número de empresas representadas no palco.

O Facebook, através Carolyn Everson, VP Global Marketing Solutions, fez uma apresentação extremamente vendedora, inclusive mostrando em primeira mão alguns novos formatos publicitários. Mas o que mais gosto nas falas dos executivos do Facebook é que eles não abordam tecnologia, o que pode parecer incoerente, dado o perfil mega nerd do criador da empresa. Em 45 minutos Carolyn usou “tecnologia” apenas 3 vezes, sendo que uma delas foi pra citar uma frase dita por Randall Rothenberg, CEO e Presidente do IAB (que aliás fez um artigo bem completo sobre o evento no The Huffington Post), logo na abertura do evento: a tecnologia não é o que importa, mas sim o que você faz com ela.

Carolyn Everson, VP Global Marketing, Facebook

E ninguém leva este discurso mais ao extremo do que o Facebook. Eles mostram de forma didática, simples e através de casos de sucesso tudo o que você pode fazer na plataforma.

Plataforma que foi a expressão utilizada por Adam Bain, President Global Revenues do Twitter para definir a empresa. Curiosamente esta é a terceira apresentação de Baim que assisti este ano e pela primeira vez ele utilizou-se do power point. E de uma forma extremamente semelhante ao Facebook.

Adam Bain, President, Global Revenues, Twitter

Para completar os 4 grandes: o Google, assim como ano passado, trouxe um time de executivos ao palco mostrando novidades nas áreas de campanhas display e celular. Já a Microsoft, atacou de Jaron Lanier, Partner Architect Microsoft Research. Com base nos avanços introduzidos pela tecnologia do Kinect, Jaron calou a platéia e o Twitter: possivelmente dado a complexidade do tema ( como a realidade virtual está ajudando a expandir o potencial humano em se expressar) frente um auditório repleto de profissionais de marketing e publicidade quase não houve tuitadas.

Jaron Lanier, Partner Architect Microsoft Research

É aquela dúvida de sempre: quando ninguém faz perguntas é porque o palestrante foi muito bem ou ninguém entendeu nada?

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Em fotos, as 7 previsões do Google para a mídia online em 2015

1.       50% de toda publicidade online será paga no modelo custo-por-exibição de vídeo
2.       50% de toda as compras de mídia serão feitas em tempo real, com uma tecnologia já disponível hoje chamada real time bidding
3.       Os celulares serão o principal meio de se acessar a internet (veja a demo do Google Goggles)
4.       Pelo menos 5 métricas serão mais importantes que o click, por exemplo taxas de interação, taxa de conversão por video exibido, números de buscas, aumento de visitas/vendas em lojas offline e teor dos comentários em redes socias a respeito de determinada campanha
5.       75% de todos os anúncios terão um viés “social” ou seja, permitirão que você comente, indique e o compartilhe.
6.       50% de todas as campanhas usarão tecnologia rich media ( hoje apenas 6% usam)
7.       A mídia visual será um mercado de 50 bilhões de dólares ( hoje está na casa de 8 bilhões).

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