Cada um no seu quadrado

Nunca escondi minhas críticas a ABRADi, APADi, AGADi e demais entidades dessa franquia. São dois os principais motivos:

1. Seus membros se intitulam agências, quando na sua maioria são produtoras. Como já escrevi anteriormente agência pressupõe você agenciar alguma coisa, conforme diz o Aurelio “é empresa especializada na prestação de serviços e que desempenha, em geral, função intermediária e agência de propaganda é empresa de serviços que planeja, executa, distribui e controla a propaganda comercial dos seus clientes”. No caso, a maioria das empresas aqui são produtoras e desenvolvedoras de soluções. O que não é nenhum demérito, apesar delas não gostarem de ser chamadas assim e discordarem do meu ponto de vista. O próprio CENP concorda comigo, ao negar certificação a boa parte das empresas que atuam em publicidade online no Brasil.

2.O mercado publicitário já tem diversas entidades que representam agências, como ABEMD, Grupo de Mídia, ABAP e, no lado digital, o IAB, que tem entre seus filiados as maiores agências e produtoras do país.

Bem, esta semana a APADi lançou um Manual de Serviços Digitais, cujo objetivo – louvável diga-se de passagem- é criar uma tabela de referência para precificar projetos digitais. Porém pode ser um tiro no pé.

Peguemos o caso de SEO, por exemplo. A tabela fala em 2 mil reais para planejamento e mil reais como mensalidade em projetos de no mínimo 6 meses. Ora, por mais que esses valores sejam piso ( “a partir de”) qualquer um que tenha o menor conhecimento no assunto sabe que esses preços são absurdos, inviáveis mesmo para qualquer projeto que se preze. E o prazo idem. SEO não é ciência espacial, mas é bem mais complexo do que colocar meia dúzia de metatags e comprar alguns links.

Por mais que as empresass afiliadas a entidade tenham custos baixos, esses preços são impraticáveis, a menos que o projeto seja entregue ao “sobrinho do primo do amigo”.

Outro erro crasso é precificar links patrocinados pelo número de palavras. Se você paga apenas pelo clique, por que limitar listas?

Não resta dúvida que as maiores empresas e profissionais importantes de SEM não foram ouvidos para colaborar na criação desses preços.

Enfim, não posso opinar quanto ao preço dos outros serviços do Manual, mas por melhor que seja a iniciativa, em relação a SEM esta tabela de modo algum “traz valores mais próximos da realidade do mercado paulista”, como diz o Michel Lent, por exemplo.

Fico imaginando se a Ogilvy, onde meu amigo Michel é diretor, vai cobrar esse valor ou algo próximo de seus clientes. Acredito que não.

Anúncios
  1. #1 por jean boechat em 03/12/2010 - 13:33

    dúvido que a ogilvy cobre qualquer coisa próxima desse valor. que bobagem.

  2. #2 por João Torres em 03/12/2010 - 14:40

    Nivelar por baixo, certamente, é um tiro no pé.

  3. #3 por Junior Miranda em 04/12/2010 - 13:09

    Realmente a iniciativa foi louvável, mas se as partes que estão à frente disso no Brasil não foram envolvidas, para mim me parece mais um "desserviço" ao mercado de SEM.Essa discussão não precisaria ser pública se as partes corretas fossem envolvidas, mas já que ocorreu espero que contribua para levar o mercado brasileiro a um próximo passo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: