A mídia online precisa (MUITO) do CENP

A internet comercial está fazendo 15 anos no Brasil. Muita coisa mudou, mas ainda há muito o que mudar.

Em 1998 foi fundada a Associação de Mídia Interativa, a AMI, por pioneiros como Paulão, Edson Romão, Índio, Caio Túlio e outros liderados pelo grande Toninho Rosa. Em 2006, A AMI passou a ser denominada IAB Brasil, como segue até hoje.

O mercado mudou muito, mas afora o nome, o IAB mudou pouco.

É fato que hoje o apoio dos portais é muito maior, a entidade tem mais de 100 sócios e conquistou uma posição de referência como representante do setor. Porém, o IAB ainda congrega de forma igualitária todos os setores do mercado online. Por outro lado, existem entidades como Associação Brasileira das Agências de Publicidade, Associação Nacional dos Jornais, Grupo de Mídia, Associação Brasileira das TVs por Assinatura, Central de Outdoor e, claro, Associação Brasileira dos Anunciantes.

Qual a diferença? Todas as citadas focam suas atividades em um único setor da cadeia; além disso, são fortes apoiadoras do CONAR e do CENP.

E o IAB?

Bem, o IAB entidade da qual faço parte do Conselho Consultivo – representa agências, veículos, fornecedores de tecnologia, empresas de pesquisa, produtoras, etc. A justificativa é que o mercado ainda é novo, em expansão e uma única entidade poderia fazer mais sentido. E, apesar de ter representantes no CONAR, o IAB ainda não é signatário formal do CENP.

Recentemente surgiu a ABRADI (Associação Brasileiras das Agências Digitais), representando um único segmento do mercado, seguindo tendência do setor publicitário. Tanto ABRADI como IAB tem sócios em comum, assim como o IAB “compartilha” filiados com a ABAP, ANJ e demais entidades.

Mas o IAB e a ABRADI tem um calcanhar de Aquiles chamado CENP (Conselho Executivo das Normas-Padrão): até hoje não existe um acordo concreto e real para que seus filiados possam usufruir de todos os benefícios do CENP . Isso é um problema.

Por exemplo: digamos que hipoteticamente eu tenha provas materiais que certa empresa filiada ao IAB está entrando em contato com veículos médios e pequenos para comprar adiantado seu inventário disponível para publicidade a preço fixo, para posterior revenda a agências e anunciantes, ao preço que bem entender. Isso é uma clara violação às regras do CENP, como todo mundo sabe. Mas…para quem eu vou reclamar e fazer uma denúncia? Afinal, apesar de muitas conversas, tratativas e tentativas, não há um reconhecimento formal por parte do IAB às regras do CENP. Assim, eu não poderia acionar nem o IAB nem o CENP para denunciar esta empresa. Entenderam o problema? A situação seria a mesma com um filiado da ABRADI.

A gente briga muito para defender o meio interativo, argumentando que os investimentos em publicidade deveriam ser maiores, dado o número de pessoas que acessam a internet e o tempo que elas passam online, para citar apenas dois motivos.

Mas por outro lado, IAB e ABRADI, como entidades representantes do mercado, precisam criar condições para que as empresas filiadas realmente sintam-se representadas e as demais organizações do setor publicitário nos respeitem e valorizem a mídia online.

E isso não se consegue apenas fazendo eventos: é preciso ações concretas e muitas vezes impopulares.

(artigo publicado na revista ProXXIma)

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  1. #1 por Ari Meneghii em 20/09/2010 - 16:10

    Marcelo,o IAB Brasil reconhece o CENP como órgão regulador das normas das relações entre agências, veículos e anunciantes.As discussões com o CENP estão em progresso. Várias agências associadas do IAB já estão obtendo seus certificados.Também está em processo o reconhecimento da comScore, empresa que faz a medição da internet no mundo, mas ainda não é reconhecida pelo CENP.O CENP, por meio de seu presidente Caio Barsotti, abriu as discussões com o IAB.Como já ocorreu em outras ocasiões denúncias sobre irreguralidades no mercado, ações que ferem o princípio da livre concorrência, falta de transparência já foram motivos de discussões dentro da entidade. Para resolver essas questões foram chamadas as partes e os assuntos foram tratados com rapidez e, na maioria delas, chegou-se a um acordo entre as partes.A forma como você colocou o assunto parece que a entidade está alienada aos acontecimentos. Claramente o IAB vem promovendo as melhores práticas no mercado. A questão com o CENP é um processo lento mesmo, porque passa por diversas instâncias. As etapas têm de ser resolvidas. Vontade política por parte do IAB e da sua diretoria não faltam e os esforços estão sendo empreendidos para resolver a situação.Abs.Ari MeneghiniDiretor ExecutivoIAB Brasil

  2. #2 por Pablo em 22/09/2010 - 22:00

    Olá Marcelo e Ari,bom, me lembro bem do inicio da AMI, era, na época, Diretor de Mídia Online do site Parperfeito.com. Me recordo das reuniões em fast-foods porque ainda não haviam instalações apropriadas na AMI(risos). Independente da relação do CENP com a IAB, a questão é: manter as relações de compra e venda de mídia online de forma ética, padronizar os formatos de mídia, evidenciar "cases" de sucesso. E também que vícios indesejáveis do mercado tradicional não invadissem a mídia digital. Será que conseguimos isso? Será que o mercado conseguiu se manter eticamente estável? Por enquanto, estamos tateando neste sentido. O que é preoucupante ainda está por vir. Os aparelhos móveis, os tablets, notes, smarthphones, sensibilizarão ainda mais aqueles que investem em mídia digital. Até lá todos os esforços devem ser empreendidos de forma a se ter procedimentos consistentes das práticas e regulamento tangível para tanto. Desejo aos dois sorte e força! Têm feito um bom trabalho, com pionerismo e talento. Abs,Pablo Mobellan

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