Arquivo de agosto \18\UTC 2005

Relações Públicas online.

Semana passada estive em San Jose, na Califórnia, participando do evento Search Engine Strategies.
Dois temas me chamaram muito a atenção e gostaria de dividir com vocês.

O primeiro é a reaproximação da publicidade online com Wall Street. Ok, você vai dizer que isso não é novidade, que investidores perderam muito dinheiro na Bolha, etc. Mas não é isso. As campanhas de links patrocinados funcionam em um sistema de leilão, baseado em oferta e procura: uma palavra muito procurada tem um custo-por-clique (CPC) mais alto do que outra de baixo interesse. Ou seja, funciona como o mercado de valores. Pois já existem empresas usando a mesma lógica de Wall Street para otimizar os lances e o desempenho de suas palavras-chave no Google, Yahoo, MSN e companhia. Trata-se de uma maneira totalmente nova de abordar as campanhas e de forma comprovadamente eficiente. Normalmente, as otimizações são baseadas em regras isoladas e não na comparação de resultados de todo seu portfolio de palavras. Muitas vezes uma alteração baseada em uma regra isolada pode diminuir sua rentabilidade final, coisa que não acontece nessa nova visão, que os gringos chamam de “portfolio approach”. Se quiser saber de mais detalhes, me mande um e-mail que terei prazer em elaborar mais sobre o tema.

O segundo assunto é a importância dos sites de busca no gerenciamento de imagem corporativa e relações públicas. Essa nova vertente do marketing em sites de busca está sendo chamada de Search Engine-PR.
Faça o teste: vá ao Google e digite a palavra splenda, que é uma marca de adoçantes. Você verá que os dois primeiros resultados vem do site da própria empresa. Até aí tudo bem. Mas do terceiro em diante a coisa complica: temos seis sites que falam muito mal do produto. São blogs, sites da concorrência e até a Associação dos Fabricantes de Açúcar criou seu site para detonar a Splenda.

Por isso, pelo bem da imagem de sua empresa, monitore com atenção os sites de busca e é fundamental também dar atenção às informações geradas por blogs, listas de discussão e demais fontes “não oficiais”. Além disso, com o aumento da utilização dos filtros anti-spam, muitas vezes o press-release que você enviou a um editor de jornal por e-mail pode ter sido barrado. Então qual a saída? Jornalistas são grandes fãs de blogs e sites de notícias, como Yahoo News e Google News. Acontece que sites de notícia não tem editor: os releases são encontrados da mesma forma que os sites de busca, através de “robôs” que varrem a web em atrás de informações relevantes. Daí a importância de submeter e otimizar seus press-releases para esses sites.

Não está convencido do papel da internet na imagem de uma empresa? Que tal então se eu te disser que o SE-PR pode ser uma fonte de receita? Veja esses dois exemplos: um press-release da Verizon, otimizado para o Google News, gerou uma taxa de conversão de 84%, contra os 30% de suas campanhas de links patrocinados; a empresa aérea Southwest vendeu um milhão de dólares em passagens aéreas em cliques originados em um site de notícia.

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Let’s play

125 milhões de dólares no primeiro dia. Não, não estou falando de nenhum lançamento recente de Hollywood. Isso é quanto faturou o jogo Halo 2 para X-Box, lançado pela Microsoft no final de 2004. Apenas para se ter uma idéia da diferença, o filme recordista de bilheteria em um único dia nos Estados Unidos é Spider Man 2, com 40.4 milhões de dólares.

Isso confirma a febre dos games, que tomou o mundo de assalto, principalmente após o lançamento dos consoles que permitem que você jogue contra outras pessoas pela internet. Mas não só os jogos de console, como PS2 e X-Box, têm atraído milhões de fãs: jogos puramente online como Ragnarok, Time Hunt e Habbo Hotel, mantém conectados diariamente pessoas dos quatro cantos do mundo. Por tudo isso, a indústria de jogos deve faturar em 2005 cinco bilhões de dólares. Segundo Marcelo Coutinho, diretor-executivo do IBOPE Inteligência, a categoria jogos on-line já responde por 4,0% do tempo total de uso domiciliar de internet em nosso país, contra 7,2% nos EUA e 3,8% na Espanha.

Abre-se aí um mundo de oportunidade para agências e anunciantes. Segundo estudos do Yankee Group e da Forrester Research, 90 a 120 milhões de dólares são investidos em publicidade em jogos anualmente, principalmente nos Estados Unidos. Para 2008, a previsão é de 700 milhões em publicidade em jogos online.
Por enquanto, a única maneira de ver sua marca estampada em um jogo é fechar um contrato durante a produção. Porém isso já está mudando: empresas como a DoubleFusion e Massive Inc., oferecem tecnologia que permite que os desenvolvedores deixem espaços em branco para publicidade durante a criação do jogo, para posterior comercialização. Trata-se de um avanço gigantesco, pois permitirá que agências e anunciantes tratem os jogos online como tratam as outras mídias, comprando espaços semanais ou mensais. Além disso, elas poderão optar pelos jogos mais populares e adequados ao público alvo, exibir a campanha exclusivamente para usuários de determinado país e, claro, contar todos os benefícios que só a mídia interativa permite: alterar em tempo real as campanhas e avaliar a receptividade (ou interação) do usuário com sua marca.

No Brasil, apesar da pirataria, que é uma enorme barreira ao crescimento da indústria de games, com a grande base instalada de celulares e o aumento da penetração de banda larga, não deve demorar para que os anunciantes brasileiros comecem a prestar mais atenção aos jogos online. Hoje já temos iniciativas como a da Claro, que desenvolveu um jogo para o MSN Messenger. Mas isso é apenas a ponta do iceberg.

Por que a publicidade em jogos online é tão importante? Pesquisas mostram que no mundo todo as mídias tradicionais como a televisão e jornais vem perdendo popularidade entre consumidores de 15 a 34 anos. Por outro lado, esse mesmo público passa cada vez mais tempo online. Porém, enquanto a idade média de um fã de videogame há alguns anos estava na casa dos 15 anos, a dos jogos de console e online é 29 anos. Por isso, se a internet tem um papel cada vez mais importante dentro do mix de comunicação, os jogos online têm espaço garantido em um futuro muito breve.

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