Arquivo para categoria redes sociais

Um diz que sim, outro diz que não. E um terceiro diz que ainda não.

Esse é o debate entre os institutos de pesquisa sobre quem é o líder das redes sociais no Brasil, Orkut ou Facebook?

Segundo o Ibope divulgou no início de setembro, o Facebook pos fim ao reinado do Orkut.

Na semana seguinte a comScore disse que não: o Orkut ainda é o líder no Brasil.

Aí no DigitalAge hoje a Hitwise disse que ainda não: o Facebook só vai passar o Orkut em janeiro de 2012.

Tá fácil né?

Quem perde com isso é o mercado online, pois enquanto o uso de redes sociais não para de crescer – seja quem for o maior – o anunciante fica perdido, sem entender os números e metodologias. E segue investindo na televisão, onde ele sabe direitinho quem é quem.

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Caras-pintadas X Caras-pintadas.com

11 de agosto de 1992: 10 mil jovens reúnem-se em frente ao MASP, em São Paulo, para protestar contra corrupção do governo Collor. Foi o primeiro ato do movimento que ficou conhecido como os Caras-Pintadas.

7 de setembro de 2011: 700 pessoas comparecem ao MASP em um ato contra a corrupção, enquanto por volta de 12 mil pessoas reúnem-se para a Marcha contra a Corrupção, na esplanada dos ministérios em Brasília.

Voltando a 1992: dia 14 de agosto o Presidente Collor, em um pronunciamento televisado, convoca os brasileiros a usar verde-amarelo no domingo, dia 16 do mesmo mês. O tiro sai pela culatra e milhares de jovens e adultos do Brasil inteiro saem às ruas de preto, em protesto contra a corrupção. Foi a explosão do movimento dos Caras-Pintadas. Algumas semanas depois 400 mil jovens tomaram o Anhangabaú em protesto.

Já em 20 de setembro de 2011: 2 mil pessoas marcham contra a corrupção na Cinelândia, no Rio de Janeiro, em ato convocado via internet.

Além dos 19 anos que separam as duas datas, há um outro fato muito importante: a internet. E mais importante ainda, o fenômeno das redes sociais.

Em 92 não havia internet, consequentemente nem Facebook, Twitter, blogs e Orkut. Milhares saíram às ruas.

Em 2011, mesmo com as redes sociais bombando no Brasil, mobilizar a sociedade civil não está sendo fácil, apesar de no mundo virtual, milhares de pessoas confirmarem presença em diversos atos de protesto.

Por que?

Porque, como escrevi em um artigo em março deste ano, tuitar é fácil, fazer é que é difícil. É politicamente correto  e muito simples apoiar causas clicando no botão “Curtir”, colocar hashtags de protesto no Twitter, citar escritores famosos. Ir às ruas é bem diferente.

E não estou aqui para negar a influência das redes sociais, seria ingenuidade de minha parte. Até mesmo uma incoerência, já que sou grande entusiasta do Facebook e do Twitter. Mas precisamos relativizar a importância das coisas.

Os movimentos da sociedade civil existem desde sempre e não depende das redes sociais, ao contrário do que pregam “inovadores” e “especialistas”. As pessoas vão se mobilizar, se comunicar independente da plataforma existente naquele momento.

Mas uma coisa não muda nunca: se você não tem uma liderança forte, que represente um ideal comum, é impossível mobilizar as pessoas.

Bem ou mal, em 1992 você tinha a UNE e o carismático Lindberg Farias, que liderava o movimento estudantil.

Hoje? Hoje não há uma liderança constituída, até pela própria natureza das redes sociais, que primam pela descentralização. Some-se a isso o estado de letargia que o brasileiro vive frente os diversos atos de corrupção que assolam o país há anos. E, para completar, a descrença da sociedade na classe política: qual deles tem moral para liderar um movimento deste porte?

Quem são os blogs mais populares do Brasil? Kibe Loco, NãoSalvo, Sedentário Hiperativo, além de outros que existem apenas para fazer dinheiro via ofertas do Mercado Livre e links patrocinados. O conteúdo deles não é nem sombra do que foi um Pasquim, por exemplo.

Quem é o mais influente do Twitter? Rafinha Bastos. O que ele pode fazer para mobilizar a sociedade civil, além de contar piadas e tuitar por dinheiro?

Por que no Brasil não surge um Huffington Post? Que aliás, vai lançar uma versão em português, porque não conseguimos criar um veículo online que trate de política e economia com a mesma força do HP.

O fato é que, desculpe o trocadilho, a blogosfera e a “redesocialsfera” brasileira ainda são uma piada em termos de ativismo político. E, se depender exclusivamente delas, não veremos tão cedo um movimento como os de 1992.

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A responsabilidade das redes sociais nos conflitos da Inglaterra

O Meio&Mensagem publicou uma nota sobre o papel das redes sociais na turbulência que agitou a Inglaterra a partir do final de semana passada, bem como na chamada “Primavera Árabe”.

Fui ouvido junto com outros profissionais importantes.

Reproduzo aqui minha declaração na íntegra, pois minha parte foi editada na versão final que foi ao ar:

Dizer que as redes sociais são responsáveis pela primavera árabe é uma ingenuidade. Para ficar em apenas 2 exemplos, a Revolução Francesa ocorreu bem antes da existência da internet, assim como outra primavera, a de Praga.

Claro que as redes tem um papel importante principalmente na disseminação da informação para o exterior, daí a intenção de regimes totalitários em bloquear o acesso durante os períodos de turbulência. Mas as pessoas vão se reunir de uma forma ou de outra, a História mostra isso. 

É importante relativizar o papel das redes. É muito simples uma pessoa colocar uma hashtag no pertil do Twitter ou uma frase em seu Facebook apoiando uma causa. Daí a essa pessoa sair às ruas há uma distância muito grande. Veja o caso do Brasil, por exemplo: as pessoas não cansam de se indignar contra corrupção nas redes sociais, mas isso não foi o suficiente para mobilizar as massas a ir às ruas em um protesto veemente, como no tempo dos caras pintadas durante o governo Collor.

Quanto a censura levantada pelo primeiro ministro britânico é sem dúvida uma afronta à história de um país onde, até poucos anos, os policiais se orgulhavam de não andar armados e não à tôa já houve uma onda contrária a isso, dizendo que Cameron exagerou em sua declaração.

É de se parar e pensar: se os protestos não cessarem, será que a ONU vai declarar a Inglaterra um estado de exceção e exigir a troca de Governo, como fez na Líbia e Egito?

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Um bate-papo com Kevin O’Connor

Kevin O’Connor é um dos pioneiros da publicidade online: foi fundador da DoubleClick, a mais cara aquisição já feita pelo Google (3.1 bilhões de dólares em 2007).

Hoje é fundador e CEO da FindTheBest, que é um site muito interessante. É um privilégio poder ouvir uma pessoa com a experiência de Kevin. Leia a entrevista exclusiva que ele concedeu para mim.

1. O que é o FindTheBest e qual a proposta de valor?

FindtheBest é como um assistente pessoal para ajudar nas decisões importantes que você precisa tomar em sua vida. A web virou um quebra-cabeças de informações desencontradas, fraudulentas e exageros publicitários. Nós removemos tudo isso e permitimos que você compare as coisas similares – “ maçãs com maçãs” – através de filtros simples de usar, que ajudam você a encontrar exatamente o que procura.

Há alguns anos eu comecei a ficar frustrado com a internet: havia muita informação disponível, mas quando eu preciso tomar uma decisão importante levo horas procurando, selecionando e comparando tudo o que encontro. Ou muitas vezes você encontra sites com listas dos “top 10” em determinado assunto, até descobrir que há um arranjo comercial por trás de várias dessas listas.

Eu uso FindTheBest para planejar minhas férias com a família em uma estação de esqui, por exemplo. Eu seleciono minhas opções pelo preço do transporte até o topo da montanha, dificuldade da pista, inclinação e quantidade de neve – não tem nada igual pela web. Meu filho pode comparar as universidades em que ele gostaria de estudar, enquanto minha filha mais nova e seus amigos usam para comparar raças de cavalos, cachorros e gatos.

O objetivo do site é ser um implacável advogado dos consumidores, então não apenas removemos todo o marketing e hype em torno de determinados assuntos, como alertamos sobre pontos importantes a se considerar e as armadilhas a evitar.

Depois que você selecionou o que quer, é muito fácil compartilhar no Facebook, basta um clique.

Atualmente temos 500 mecanismos de comparação, espalhados em 9 categorias principais:

  • Artes e entretenimento
  • Negócios e economia
  • Educação
  • Saúde
  • Referências
  • Ciência
  • Sociedade
  • Esportes e recreação
  • Tecnologia

2. Qual o modelo de negócios

Quando um consumidor está comparando produtos e serviços, significa que ele tem uma intenção de compra muito forte. Esta é uma oportunidade incomparável para anunciantes. Possivelmente teremos publicidade no FindTheBest, mas será algo bem claro ao consumidor, assim como faz o Google nos resultados de busca. No momento estamos preocupados em construir um site de boa reputação e que agregue valor aos consumidores.

Leia a entrevista completa em minha coluna no Webinsider.

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Quanto vale a internet no Brasil?

A Época Negócios que está nas bancas traz uma ótima reportagem de Guilherme Felitti sob o título “A Década Digital Brasileira”. O Texto aborda o crescente interesse de empresas internacionais em operar localmente, pegando principalmente a “rixa”entre Google e Facebook.

Acompanhando a reportagem, o site da revista publicou um ótimo vídeo com dados globais sobre a internet em nosso país nunca antes compilados juntos. Vale conferir!

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Tuitar é fácil, fazer é que é difícil

Que as redes sociais tem um papel cada dia mais importante na vida das pessoas isso não se discute. Aliás, não apenas das pessoas, mas de empresas. Aliás, não apenas de pessoas e empresas, agora também de países.

A militância virtual vem ganhando cada dia mais força, prova disso é que Facebook e Twitter ocupam frequentemente um lugar de destaque nos noticiários locais  e internacionais.

A recente crise do Egito mobilizou pessoas no mundo inteiro, como já havia acontecido recentemente durante dias turbulentos no Irã em 2009. Mas esta nova militância tem uma característica única: o baixo comprometimento.

Tiago Dória escreveu recentemente um post em seu blog chamado “Hasgtags não derrubam governos” e é um dos mais brilhantes ensaios sobre o tema, recomendo a leitura. Doria baseia seu texto no livro The Net Delusion, de  Evgny Morozov e, em uma das melhores passagens diz que “(…)muitas vezes esse tipo de ciberativismo não apresenta resultados, visto que se preocupa muito com a mobilização (juntar seguidores no Twitter e amigos no Facebook) e pouco com a ação (depois de conseguir 10 mil seguidores e fãs na página do Facebook, o que vai fazer? Enviar spam com conteúdo político para todo mundo?)(…)”.

É uma grande verdade, pois dado o impressionante número de citações a grandes pensadores e escritores que leio especialmente no Facebook, o Brasil seria um dos países mais cultos e engajados do mundo. Longe disso, não é mesmo?

É legal, é bacana, é moderno tuitar com hashtags politicamente corretas, assim como pega bem citar Clarice Lispector, Bukowski ou Shakespeare em seu perfil do Facebook.

Não estou aqui negando a influência das redes sociais, mas assim como Doria e Morozov, relativizando seu papel. Até porque, se bem orquestrado é possível influenciar os famosos TTs (trend topics, do Twitter).

O pessoal do Pânico faz isso quase todo dia, por exemplo. já tratei isso inclusive em outro artigo, quando das eleições presidenciais. Não é sempre que espontaneamente surge um #calabocagalvão.

No final de janeiro, porém, tivemos um bom exemplo de como uma iniciativa diferenciada pode sim reverter em bons resultados e, claro, atingir o topo dos TTS.

Não, não estou falando de nenhuma estratégia de guerrilha ou marketing viral, mas da ira de um consumidor, o sr. Oswaldo Borelli.

Insatisfeito com os problemas em seu refrigerador Brastemp, após 3 meses de idas e vindas sem uma solução definitiva, ele gravou um vídeo e postou no YouTube. Em seguida criou uma conta no Twitter. Resumindo: 7 dias após a postagem, a Brastemp resolveu o problema deste consumidor, soltou um pedido público de desculpas e prometeu rever suas políticas. Mas não antes da marca ter atingido o topo dos assuntos mais discutidos.

Neste caso, sem dúvida, Twitter, Facebook e YouTube tiveram um papel preponderante no caso do sr.Borelli, mas mesmo assim eu vi mensagens falando sobre futebol com a hashtag Brastemp, num evidente esforço de apenas prejudicar a marca e ver o circo pegar fogo (deveria tê-las guardado para futuras palestras, aliás). Mas ele poderia ter resolvido seu problema de outra forma? Sem dúvida, o PROCON e o Código do Consumidor estão aí pra isso. Mas dá muito trabalho reunir documentos, deslocar-se até lá, fazer a denúncia, aguardar o julgamento. Assim como dá muito trabalho organizar a sociedade civil e ir às ruas protestar. Tuitar ou clicar no botão “Curtir” é bem mais fácil.

 

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>Receita de como colocar um assunto nos TTs do Twitter em menos de uma hora

>Ingredientes
- um programa de rádio de grande audiência,
- um time popular que dá vexame
- uma pessoa para tirar sarro
- uma hashtag divertida

Preparo
Na abertura de seu programa convide os ouvintes a usar uma tag específica em suas mensagens. Reserve.
45 minutos depois está pronto.



(Foi assim ontem com o Estádio 97. Às 18:10 o apresentador Sombra conclamou os ouvintes: “hoje é dia de colocar a tag #chupamano”nos TTs”. Para quem não ouve o programa, Mano é o nome de um dos “apresentadores” e é corinthiano roxo. Claro que Mano fez diversas bravatas antes do jogo do Corinthians e o modesto Tolima, vencido pelo segundo. Antes das 19h a tag já estava nos TTs. brasileiros)

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